Supernovas podem ter causado duas grandes extinções em massa na Terra

Uma nova pesquisa sugere que explosões estelares violentas podem estar ligadas a duas das maiores extinções em massa que ocorreram no planeta, mas que até hoje permaneciam sem explicação.

Nos estágios finais da vida de uma estrela gigante, ocorre uma explosão termonuclear poderosa — conhecida como supernova — que destrói o astro e libera uma grande quantidade de radiação e material pelo espaço.

Com base na taxa de supernovas que ocorreram a uma distância de até 65 anos-luz do Sol nos últimos bilhões de anos, cientistas associaram esses eventos cósmicos a pelo menos uma, possivelmente duas, extinções em massa.

A pesquisa faz parte de um estudo mais amplo sobre a Via Láctea, analisando estrelas massivas do tipo O e B, que possuem um ciclo de vida curto. Os dados foram obtidos a partir do telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA).

Os cálculos indicam que, a cada bilhão de anos, 2,5 supernovas podem afetar a Terra, o que significa que uma ou duas explosões teriam ocorrido nos últimos 500 milhões de anos, período durante o qual a vida evoluiu no planeta.

Essa estimativa é menor do que o esperado anteriormente, segundo Nick Wright, coautor do estudo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em 18 de março. A descoberta levou Wright e sua equipe a investigar a relação entre esses eventos e as extinções em massa.

Ao longo dos últimos 500 milhões de anos, a Terra passou por cinco extinções em massa, nas quais a maioria das espécies terrestres e marinhas desapareceu em curtos períodos geológicos.

“O impacto de uma supernova pode ser um fator relevante nesses eventos de extinção”, afirmou Wright, professor de física e astrofísica na Universidade Keele, no Reino Unido.

Como as supernovas podem afetar a vida na Terra?

O principal autor do estudo, Alexis Quintana, destaca como essas explosões cósmicas podem tanto criar quanto destruir vida.

“Supernovas liberam elementos químicos pesados no espaço interestelar, os quais são utilizados na formação de novas estrelas e planetas”, explica Quintana, pesquisador da Universidade de Alicante, na Espanha. “No entanto, se um planeta estiver muito próximo de uma dessas explosões, os efeitos podem ser devastadores.”

Embora o estudo não forneça provas diretas de que supernovas tenham causado extinções em massa, os cientistas levantam a hipótese de que esses eventos estelares possam ter contribuído para a extinção do Devoniano Tardio, há 372 milhões de anos, e do Ordoviciano Tardio, há cerca de 445 milhões de anos.

A teoria sugere que a radiação de uma supernova poderia ter destruído a camada de ozônio da Terra, expondo a vida a níveis letais de radiação cósmica e desencadeando uma série de reações em cadeia que levariam à extinção em larga escala.

Durante o período Devoniano, a vida terrestre começava a prosperar, mas muitas plantas e animais que faziam a transição do ambiente aquático para o terrestre foram extintos. Já no fim do Ordoviciano, cerca de 85% das espécies desapareceram, quando a vida ainda era predominantemente marinha.

“A relação com a extinção do Ordoviciano Tardio se dá porque uma explosão desse tipo poderia ter desencadeado uma glaciação, evento que sabemos que ocorreu naquela época”, disse Mike Benton, paleontólogo da Universidade de Bristol, no Reino Unido. No entanto, ele enfatiza que ainda não há evidências concretas dessa ligação.

Paul Wignall, professor de paleoambientes na Universidade de Leeds, considera o estudo interessante, mas lembra que essa hipótese já foi levantada anteriormente. Segundo ele, o que falta é uma evidência física clara de que essas extinções coincidiram com explosões de supernovas.

“Uma forma de comprovar essa relação seria encontrar elementos exóticos, originados de supernovas, em depósitos geológicos”, sugere Wignall.

A prova que ajudou a explicar a extinção dos dinossauros

Embora a ligação entre supernovas e extinções em massa ainda precise de comprovação, a ciência já conseguiu estabelecer que ao menos um evento celeste teve impacto direto na vida terrestre: o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros.

Há 66 milhões de anos, um asteroide colidiu com a Terra na região que hoje corresponde ao México, causando a extinção dos dinossauros e de muitas outras espécies.

A primeira evidência desse impacto foi a descoberta da chamada “anomalia do irídio” — uma camada geológica rica nesse elemento raro na Terra, mas comum em meteoritos. A hipótese foi publicada em 1980 e, inicialmente, recebeu ceticismo, mas acabou sendo confirmada após a descoberta da cratera de Chicxulub, com 200 quilômetros de diâmetro, na Península de Yucatán.

Para Wignall, a teoria da supernova ainda precisa de um “equivalente do irídio”, como ferro-60 ou plutônio, que possam ser identificados em sedimentos antigos.

Wright, por sua vez, afirma que o objetivo da pesquisa é chamar a atenção para a nova escala de tempo das supernovas.

“Ainda não sabemos com certeza o que causou essas extinções”, admite. “Nosso estudo apenas sugere que as supernovas podem ter desempenhado um papel importante, e essa hipótese merece ser mais investigada.”

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