O Parlamento aprovou uma alocação de mais de 91 milhões de meticais para uma comissão técnica composta por burocratas, parlamentares e políticos, cujo objetivo é debater reformas no contexto do diálogo político supostamente inclusivo para a paz. Entretanto, desse montante, cerca de 48 milhões de meticais serão destinados apenas ao pagamento de presenças, com cada integrante recebendo entre seis e nove mil meticais diários simplesmente por comparecer às reuniões.
Enquanto isso, questões urgentes da população continuam sem respostas. Famílias que perderam seus entes queridos ou que ficaram com sequelas irreversíveis ainda aguardam compensações. As vítimas da tragédia de Hulene, os reassentados que vivem em condições precárias e os desabrigados de sucessivos desastres naturais seguem esquecidos. O silêncio do Parlamento diante dessas situações levanta questionamentos sobre suas verdadeiras prioridades.
Diante desse cenário, fica evidente que a máquina legislativa parece funcionar apenas quando se trata de interesses próprios, enquanto as necessidades das camadas mais vulneráveis da sociedade permanecem negligenciadas.
— Por um cidadão indignado.